Programa Erradicando o pé torto Rotary Ponseti Internacional

Ola queridos pais,

Escrevo para contar boas novas com relação ao tratamento de pé torto pelo Método Ponseti no Brasil. Como sabem, sempre trabalhamos duro para que as crianças sejam adequadamente tratadas do pé torto congênito, desde a implantação do Método Ponseti no Brasil, até a situação atual, onde temos o Método Ponseti já plenamente aceito desde 2004 pela sociedade brasileira de ortopedia, mas não corretamente aplicado em muitos locais e para muitas crianças ainda nos dias de hoje.

Como muito de vcs já sabem, o tratamento de pé torto foi mudado totalmente nos últimos 16 anos, com uma grande diminuição do tempo de gesso, com menor número de gessos, a simplificação da “cirurgia” do pé torto que constitui a tenotomia, e a desmistificação do uso adequado da órtese de abdução, e o seguimento adequado durante o crescimento.

Em 2007 e 2008, fizemos um projeto nacional que visitou 21 capitais brasileiras ensinando o Método Ponseti a partir de um apoio de uma ONG inglesa, La Vida. Em termos de educação médica, seguimos o padrão “professoral” ou seja, aulas teóricas abertas a diversos colegas de cada região, convocados pelos ortopedistas locais, um workshop de confecção de gessos em modelos plásticos e algumas discussões de casos clínicos. Aqui vão os vídeos do projeto, e também um artigo científico contando sobre o projeto que fizemos. Além disso, publicamos também recentemente um artigo com a repercussão científica daqueles que “pegaram” (aprenderam) rápido o Método, e compilaram seus casos nesse outro artigo, mostrando que os médicos brasileiros, assim como centros em outros serviços do mundo, foram capazes de tratar adequadamente e com sucesso 93% dos pacientes com pé torto  (correção inicial). Em termos de custos, os colegas do Hospital Universitário da USP demonstraram que o Método Ponseti é muito mais rápido, e mais barato que o tratamento que fazíamos antes, o que, somado aos trabalhos de bons resultados a longo prazo, parece capaz de convencer totalmente qualquer gestor, secretaria, ou Ministério de Saúde, mas na realidade esse caminho não é assim tão direto…

https://www.youtube.com/watch?v=m6jpgE3Piv8

https://www.youtube.com/watch?v=34F-VBLiyco

https://www.youtube.com/watch?v=JMgf8xauH9E

Após esse programa, com certeza o Método Ponseti foi muito mais difundido, em muitos lugares onde estivemos ele era realmente uma grande novidade, e além disso o grupo de pais com crianças com pé torto foi mobilizado: em 2010 foi criada a Associação Primeiro Passo, www.primeiropasso.org , que hoje acolhe os novos pais com crianças nascidas com essa condição, ajuda a encaminhar os pacientes a centros que sabidamente tratam adequadamente o pé torto, dão informações sobre o tratamento, fizeram uma participação muito importante no congresso internacional do Método Ponseti, no ano que foi o centenário do nascimento do Dr Ponseti; organizam um banco de órteses informal que agora parece que será formalizado a partir da doação de uma sede própria.

Os pais também foram responsáveis pelo importante programa “pais para pais” com ações informativas em hospitais com clínicas de referência de pé torto. Os pais nos informaram que a órtese não era realmente uma parte ruim do tratamento, pela pesquisa que anexamos acima; afinal, a fase de gesso é mais difícil segundo eles (que bom que ela é curta,,,)

No entanto, após quase 10 anos desse programa, atualmente fazem adequadamente o tratamento do pé torto apenas 7% de todos os 556 médicos treinados ´por esse esforço inicial de treinamento.

Ainda recebemos pedidos de referenciamento de mães em diversos locais do pais onde o tratamento pelo Método Ponseti não é oferecido; ainda vemos tratamentos absolutamente diferentes, com maneiras muito variadas de fazer gessos, e nada eficientes; vemos tratamentos prolongados, com fadiga e desanimo de crianças e pais através de meses e meses de gesso, vemos cirurgias extensas, muitas vezes desnecessárias, ainda sendo indicadas e realizadas todo dia. Vemos médicos mal remunerados, tanto no serviço público quanto no privado, e desvalorização do tratamento do pé torto. Frente a essa situação, procuramos pensar no que nos faltou nesse programa inicial, e chegamos a duas importantes conclusões:

1 – A forma de ensinar o Método Ponseti aos médicos ortopedistas brasileiros não foi eficiente para conseguirmos tratar adequadamente as crianças brasileiras com pé torto;

2 – Os médicos trabalharam de forma isolada, sem apoio dos gestores de seus próprios hospitais, entidades de classes, grupos de pais, e outros setores da sociedade, e governamentais, para que o tratamento seja apoiado e possa ser realizado adequadamente.

Então, propusemos ao Rotary clube, baseado em seu histórico de instituição séria e organizada, e também seu histórico de importância mundial no tratamento da poliomielite, um programa de treinamento bastante diferente do que fizemos anteriormente: um programa de treinamento baseado no modelo de educação médica baseado em mentoria. Esse modelo preconiza o aprendizado baseado em uma vivencia de atendimento de crianças com pé tortos seja fazendo gessos, seja seguindo sua evolução. A parte teórica é dada através de conferencias online, com economia de recursos e tempo.

(Esse projeto foi escrito com a colaboração de médicos e profissionais de saúde pública brasileiros e americanos, e para nossa grande satisfação, foi aprovado há poucas semanas.)

 Depois de 5 dias de treinamento intensivo, com bastante interação entre os professores e alunos, e comprometimento com relação ao tratamento, o médico será encorajado a documentar adequadamente seus casos, assim fazendo uma análise de sua performance a cada caso, e depois ele é visitado por seu professor, já constituindo uma clínica de referência de tratamento do pé torto.  Essas clínicas formarão um mapa para a rede pública de encaminhamentos, e o pé torto não será talvez visto como uma condição tão modificadora da rotina da família de uma criança.

O Rotary entra com o subsidio para que esse programa possa ser realizado, em vários locais do Brasil (Salvador, São Paulo, BHorizonte, Brasilia e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul), e principalmente, no suporte as atividades da clínica de referencia, na “advocacy”, contatando meios de informação, gestores, diversos setores da sociedade, e órgãos governamentais, para apoiar essa iniciativa do teinamento dos médicos e formação das clínicas de referencia.

 Quem são os professores? Colegas já bem treinados no Método Ponseti, e envolvidos com programas de treinamento previamente. E quem são os alunos? Profissionais que se inscreveram no programa, já envolvidos com o Método Ponseti, e que já estão com anuência e apoio de seus gestores, ainda apoiados pelos Rotary Clubes locais.

Esse treinamento se iniciará em São Paulo, na semana de 25 a 31 de agosto próximos, e as outras 4 edições ocorrerão durante os dois anos do programa aprovado.

Então, por que escrevemos a vocês?

Escrevemos para mobilizá-los para a participação ativa nesse projeto, divulgando essa informação, indicando pessoas que possam contribuir para esse programa, ou que possam ter influência na divulgação e apoio do tratamento do pé torto no Brasil, ou mesmo comparecendo para saber mais sobre o programa, no domingo de manhã e a tarde, no Hotel Travel Inn,  (na Borges Lagoa, onde profissionais de saúde pública estrangeiros e brasileiros poderão ouvi-lo, e unificar esforços para conquistas importantes na implantação desse programa e rede de clínicas de referência do tratamento do pé torto no Brasil.

Se puderem, reproduzam esse e-mail a seus conhecidos. Vamos fazer uma “corrente do bem” com relação ao apoio desse bonito projeto.

Desde já meu muito obrigada!!

Um abraço,

Dra Monica Nogueira

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A Associação Primeiro Passo é uma entidade civil que nasceu do desejo de muitos pais de crianças com pé torto congênito que foram tratadas pelo método Ponseti e tem como intuito multiplicar, incentivar e difundir esta técnica de tratamento em meios médicos e não médicos. A APP funciona regularmente sob o CNPJ 12.950.014/0001-55. Uma meta idealizada pela Associação é que o método de Ponseti fosse assimilado e realizado corretamente por profissionais pelo SUS e ficasse disponibilizado a todo cidadão brasileiro. Enquanto esse ideal ainda não é uma realidade, todavia, fazemos esforços para divulgar o tratamento do pé torto congênito pela técnica de Ponseti, atuando na detecção precoce desta alteração ortopédica, no suporte e facilitação de centros de tratamento intersetoriais no Brasil e no exterior. A meta mais abrangente de nossa visão de entidade civil é promover a erradicação do pé torto congênito não tratado, no Brasil e no mundo.

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4 comentários em “Programa Erradicando o pé torto Rotary Ponseti Internacional
  1. Patrick Paulo da Silva Acácio disse:

    Olá estou com um filho com pés tortos congênitos .
    Um médico que fez o procedimento do meu filho fez gesso de baixo do joelho pra baixo pra trocar de 21 em 21 dias meu filho fez isso por 6meses pra poder fazer a primeira cirurgia e nesse tempo vivia saindo o gesso e quem colocava o gesso era um técnico de radiologia! Sem curso pra colocar gesso! E eu quem tinha que ajudar o médico não participava !
    Me ajudem pois oque devo fazer !

  2. Marilene Bottura disse:

    Minha netinha tem o pé torto ma formação genética . Ela tem 2dias de vida. Não sabemos se tem mais algumas deformidades. Aparentemente não .Tem como fazer exames com essa idade Precisamos de um centro de referência que seja o melhor tratamento mais moderno menor tempo de gesso. Temos convênio ou particular Moro no Paraná.

    • Olá.
      Para saber sobre outras má formações um geneticista pode ajudá la.Há exames que podem identificar possíveis alterações além do pé torto, mas precisa ver ao olhos da pediatra também se há necessidade desse procedimento ser realizado.
      O tratamento para pé torto com melhores resultados no mundo todo e menos invasivo é pelo método de ponseti!
      Precisa ser aplicado por um profissional treinado e experiente na técnica.
      O tratamento passa por etapas veja: https://associacaoprimeiropasso.wordpress.com/tratamento/

      No Paraná procure pelo Dr. Carlos Abreu de Aguiar no Hospital Infantil Waldemar Monastier ele atende particular também.

      Hospital Pequeno Principe, há tratamento para pé torto pelo método de ponseti!

      Dr. Edilson Forlim, (particular)

      Agradecemos seu contato!

      contato@primeiropasso.org

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