O que acontece quando a criança que nasce com pé torto não é tratada?

No pé torto congênito os tecidos que ligam os ossos (tendões e ligamentos) são mais curtos que o usual em alguns pontos, causando as deformidades observadas.

9152_10201258557784127_2623434454941187764_nA criança com pé torto congênito consegue andar, porém, de maneira diferente e muitas vezes dolorosa na vida adulta.

Por este motivo está indicado o tratamento logo que a criança nasce. A maioria dos casos é tratada com sucesso com o tratamento sem cirurgia.

 

A criança com pé torto congênito pode apresentar os seguintes achados:

  • a ponta do pé voltada para dentro e para baixo, aumentando o arco do pé e virando o calcanhar para dentro.
  • o músculo da panturrilha também é afetado, encontrando-se menor e subdesenvolvido.
  • o pé afetado é menor que o lado normal (quando houver) em 1 a 2 cm.

Apesar do aspecto, o pé torto congênito não causa dor ou desconforto.

Complicações se não tratado:

O pé torto congênito não causa problemas até que a criança comece a andar e ficar de pé.

Se a criança não for tratada, apresentará  dificuldades durante a vida:

 

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Imagem clínica de paciente adulto com pé torto congênito não tratado.

Distúrbio da marcha: a criança não consegue andar sobre a sola dos pés. Anda apoiando o lado de fora dos pés, enquanto a ponta fica voltada para dentro (conforme foto acima).

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imagem clínica de paciente com calçado especial para pé torto congênito não tratado.

Dificuldade de encontrar calçados: aqui não é apenas o tamanho que dificulta, mas principalmente o alinhamento do pé, sendo necessário sapatos sob medida ao longo de toda a vida, o que pode ser muito caro (conforme foto acima).

 

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imagens clínicas de paciente não tratado com pé torto congênito (pé torto inveterado).

Dor nos pés: a sola do pé é o local mais apropriado para apoiar o peso do corpo. Como no pé torto congênito sem tratamento (conforme foto acima)  isso não ocorre, o pé apresenta inúmeros calos dolorosos. Além disso, o alinhamento dos ossos e tendões não está adequado, podendo causar a longo prazo desgaste das juntas (artrose), causando muita dor ao andar.

 

Baixa auto estima: este é um dos problemas mas importantes. A pessoa que não aceita uma diferença que tenha no corpo passa a se isolar da convivência de outras pessoas por se achar inadequado ou inferior. Estas pessoas, por vezes apresentam depressão, distúrbio da auto imagem e crises de pânico.

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Atualmente o melhor tratamento para o pé torto congênito é o método de Ponseti.

Devido à grande elasticidade dos recém-nascidos, o tratamento deve ser iniciado dentro de 7 a 10 dias de vida. O objetivo do tratamento é melhorar o alinhamento do pé da criança antes que a mesma aprenda a ficar de pé ou andar.

Ignacio Ponseti foi um ortopedista espanhol que ficou famoso ao definir um tratamento simples, de fácil aprendizado, fácil disseminação e barato para o pé torto congênito. Seu método defende a manipulação gentil do pé seguida de gesso da virilha até o pé . A manipulação serve para alongar as estruturas contraturadas do pé. Após o alongamento, mantém-se o pé na posição obtida e coloca-se o gesso. O mesmo deve ser trocado a cada 7 dias, quando uma nova manipulação será realizada, e por sua vez, um maior alongamento. A duração do tratamento com gesso varia de criança para criança, podendo ser de 5 gessos até 8 gessos em pés mais complexos.

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O tratamento com gesso é realizado até que o pé atinja a posição correta (o pé consegue ser rodado para fora 70 graus e a ponta do pé elevada em até 30 graus).  Às vezes a criança necessita de uma pequena cirurgia(Tenotomia) antes do último gesso para completar a correção do pé. Este procedimento é para alongar o tendão de Aquiles e pode ser realizado com anestesia local, na presença dos pais e a criança vai embora no mesmo dia. Após a cirurgia é colocado um novo gesso que será mantido por 3 semanas. E com isso termina o tratamento com gesso do pé torto. A seguir começa o tratamento com a órtese

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A órtese é um aparelho que segura o pé na posição correta, porque mesmo que o pé tenha sido completamente corrigido com o gesso, a deformidade vai voltar se não usar o aparelho.

Ela deve ser utilizada 23 horas por dia pelos 3 meses após a retirada do último gesso, retirando apenas para o banho. Depois disso, a criança deverá utilizá-la por 14 horas à noite até que a criança tenha 4 anos de idade.

A utilização inadequada da órtese e seu abandono antes do prazo são as principais causas do problema retornar. O pé volta a entortar. Isso ocorre em 80% dos casos que não fizeram o uso adequado da órtese. Nas famílias que a utilizam corretamente, a taxa de retorno do pé torto é de apenas 6%.

O pé torto congênito é uma doença que não causa dor, mas pode prejudicar a maneira de andar da criança e adulto. Por este motivo é preciso tratar. O tratamento de escolha é a manipulação do pé seguida de gesso, iniciado logo na primeira semana de vida. O objetivo do tratamento é obter um pé que encoste a sola do pé toda no chão, seja flexível e sem dor. Já o tratamento cirúrgico tem como objetivo obter um pé que apóia a sola do pé no chão, mas muitas vezes o pé perde parte da sua flexibilidade devido às cicatrizes cirúrgicas e por vezes o paciente tem dor. Com base nisso é muito importante o conhecimento da doença para o seu diagnóstico precoce e seu tratamento adequado.

“Em nenhuma circunstância as informações aqui publicadas substituem a consulta com o seu médico”

“Para mais informações procure sempre o seu Ortopedista Pediátrico e realize uma consulta presencial”

 

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Saiba como participar do Banco de órteses da Primeiro Passo!

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Associação Primeiro Passo deu início a um projeto de banco de órteses. Entenda como funciona e participe você também!

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A Primeiro Passo recebe as doações dos pais de órteses usadas pelas crianças , seja via sedex ou pessoalmente em nossa sede. Enviamos as órteses doadas para alguns reparos, substituindo o que for necessário para que outra criança possa utilizar com segurança e eficácia, e vendemos essa órtese pelo valor de R$ 70,00 reais.  Esse valor de R$ 70,00 reais é para que nós tenhamos condições financeiras de dar continuidade ao projeto beneficiando diversas crianças, pois precisamos remunerar nosso técnico em produtos ortopédicos para que esteja realizando a manutenção e troca de materiais necessários na órtese doada.

Atenção Pais!

As órteses só serão vendidas mediante apresentação da receita médica com o pedido da órtese de abdução DB, prescrita pelo ortopedista responsável, da qual nós iremos tirar uma cópia e arquivar em nossos registros.

Para adquirir a órtese DB, os pais ou familiares deverão nos comunicar com antecedência por email: contato@primeiropasso.org ou via whatsapp 19-99866 5165 falar com Sabrina, para que possamos verificar se temos a numeração que a criança precisa em nosso Banco de órteses, dessa forma agendamos uma data para retirada da órtese!

Para retirada da órtese os Pais deverão comparecer pessoalmente na sede da Primeiro Passo para preenchimento de um cadastro para poderem participar do banco de órteses, sendo assim não enviaremos órteses pelos correios pois não podemos nos responsabilizar por possíveis desvios na entrega.

Venham conhecer nossa sede e participar do nosso banco de órteses!

Nossa sede fica na Av. Santo Amaro, nº1817, sala 14 bairro Vila Nova Conceição Sp. CEP: 04505-003

Você pode ligar e falar com nossa secretária Karina pelo telefone: 11 5049-0031, deixe seus dados com ela como nome e telefone e retornaremos!

Nosso horário de atendimento é de segunda á quinta dás 13:00hrs até ás 18:00hrs e na sexta dás 13:00hrs até ás 17:00hrs.

 

Nós da Primeiro Passo agradecemos á sua colaboração!

 

 

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